A Insustentabilidade da Formula 1

Foi no começo de Janeiro que veio a notícia. Através de uma triste declaração oficial, a equipe Manor, atual última colocada no grid da Fórmula 1, entrou em estado de falência. E isso após sua melhor temporada no esporte, caracterizada por uma ferrenha luta com a suíça Sauber, até então equipe do brasileiro Felipe Nasr, dona de um investimento substantivamente maior. Porém, o choque se revela mais cruel por se dar, justamente, após um período de inegável amadurecimento do time, o qual culminou num oficial apoio técnico da campeã Mercedes.

É certo que inúmeras equipes já fecharam as portas nesses quase 70 anos de categoria. Também é certo que o elitismo e o alto nivelamento característico da modalidade, sempre conspiraram para criar um cenário hostil, agravado quando em ocasiões de profundas mudanças de regulamento – como as que se darão no campeonato de 2017. Porém, é igualmente correto afirmar que os altos custos e a politicagem nos bastidores do chamado “circo da F1”, nunca foram tão danosos aos seus participantes, a ponto destes se verem, unicamente, como palhaços, assim gastando exponenciais somas monetárias, recebendo, em troca, injustificável retorno.

Por mais incapazes que sejam de enfrentar de igual para igual as maiores potências do esporte, há de se salientar a importância dos times menores na categoria. Mais do que participantes, são eles reais representantes da inventividade na competição, donos das mais especializadas fábricas, assim capazes de construir diferenciais que angariam benefícios, não somente para sua participação, mas também e principalmente para a modalidade como um todo. Afinal, diferentemente de outras “fórmulas”, na Fórmula 1, todo time é também, em sua natureza esportiva e administrativa, um construtor. Aquele responsável por fazer seu próprio equipamento, levando-o a impensáveis limites, visando unicamente o sucesso.

Cabe somente a Fórmula 1 enxergar isso. Afinal, da mesma forma que não é incomum a falência de equipes na categoria, é menos incomum ainda a sua compra. Dessa forma, times menores como a Stewart e a Tyrrell, por exemplo, deram origem às gigantes Red Bull e Mercedes. Hoje, principais competidoras pela vitória. De igual forma, mais carros significa não somente mais lugares para jovens e promissores pilotos, como mais carenagens para potenciais novos patrocinadores, o que diretamente incide sobre a visibilidade da categoria e sua relevância perante o público.

Já é mais do que hora da Formula 1 acordar. Hoje, o seu cenário se caracteriza por uma frenética briga por pontos, não visando a disputa, mas também e principalmente a sobrevivência. Em paralelo, a distribuição dos lucros é cruel, deixando todos a beira de um imediato precipício. E isso, aliado a habitual e arrogante mentalidade da categoria, a faz tomar atitudes visando unicamente interesses próprios – mesmo que conflitantes aos seus personagens.

Pois é regra de qualquer negócio saber tratar bem seus personagens. Logo, a Fórmula 1 não terá nenhum para se preocupar. Pior; o numeral um, em seu nome e história, assim somente ficará. Um simples eco dos cada vez mais distantes dias de sua glória.