Brasil adota medida contra importação de etanol americano – reporta Marcio Alaor, do Banco BMG

 

Desde o último dia 15 de maio o Brasil passou a adotar uma medida que visa fortalecer o mercado nacional de etanol de cana, contra o crescimento das importações de biocombustível à base de milho dos Estados Unidos: aos importadores foi imposto o estoque mínimo. Conforme ressalta Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, a iniciativa é uma alternativa adequada para regular a crescente importação do combustível norte-americano. A medida vai de encontro à opinião de alguns grupos, que esperavam a taxação do etanol de milho – mas que poderia ser prejudicial ao pais, com prováveis retaliações de Washington, reporta o vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.

Segundo Coelho Filho, em palestra realizada em São Paulo, o governo não busca impossibilitar a importação – apenas criar algumas barreiras para o etanol estrangeiro. Ainda de acordo com o ministro, “Eu particularmente sou contra a taxação porque acho que isso vai voltar para nós bem mais caro, via retaliação, mas precisamos de algumas medidas para proteger nosso etanol de cana do etanol dos EUA de milho”, noticia Marcio Alaor, do Banco BMG. De forma alternativa à imposição de taxações, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou resolução determinando que agentes importadores de biocombustíveis devem atender aos mesmos requisitos de conservação de estoques mínimos e comprovação de capacidade que são exigidos aos produtores situados no país.

Atualmente, as usinas brasileiras são obrigadas a possuir estoques de etanol de, no mínimo, 8% de suas vendas totais realizadas até 31 de março do ano anterior. A determinação foi criada como medida para garantir uma quantidade satisfatória de etanol durante o período de entressafra na região centro-sul, principal produtora no país, durante os meses de dezembro a março. De acordo com um operador local do biocombustível, “Essa medida significa que um importador terá de investir em infraestrutura. Isso provavelmente tirará do mercado aqueles pequenos operadores que fazem negociações oportunistas”, reporta o executivo do Banco BMG, Marcio Alaor. Ainda como forma a complementar o aumento de barreiras, o governo começou a debater a viabilidade de retomar tarifas no mês de maio, contudo, houve o entendimento de que o assunto deveria ser avaliado de forma técnica antes da próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior que ocorrerá em junho.

Aumento das importações bate recorde

De acordo com dados oficiais, as importações de etanol de milho chegaram a 720 milhões de litros – aumento de cinco vezes – somente no primeiro trimestre de 2017. Mesmo sendo um grande produtor do biocombustível, o Brasil é habituado a importar grandes quantidades dos Estados Unidos de modo a suprir o período de entressafra. Todavia, a importação cresceu de forma vigorosa desde o início do ano por conta da baixa produção interna – os produtores dedicaram a cana à produção de açúcar, que apresentava preços mais atraentes que o etanol, cita Marcio Alaor, do BMG.

Conclui o ministro Coelho Filho: “Se vocês pegarem o volume de etanol importado no ano passado e este ano até abril, já importamos quase o mesmo volume que tinha sido importado do ano passado, mostrando que isso está numa ascensão violenta pela super safra de milho que está tendo lá nos EUA. É evidente que esse etanol, quando entra aqui, tira o mercado do nosso etanol nacional”, reporta o vice-presidente do banco BMG, Marcio Alaor.