Brasil terá o seu nome no mapa da fome, diz um relatório do Banco Mundial

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Três anos depois de deixar o mapa mundial da fome, o Brasil pode voltar a fazer parte dele. Somente este ano (2017), 3,6 milhões de pessoas voltarão a pobreza no país, e parte do motivo para isto é a redução de programas sociais como o “Bolsa Família”.

Desempregada há 10 anos, Elaine Teixeira da Silva, mora nos fundos de uma casa em um bairro pobre de Itapecerica da Serra, São Paulo. Lá moram ela, o marido e 5 dos 7 filhos. “Aqui em casa não tinha nada, não tinha arroz, não tinha feijão, não tinha leite, a única coisa que eu tinha era sal e um pouquinho de macarrão. Eu fiz um pouquinho de sopinha e dei para eles comerem, mas eu não consegui comer, porque se eu comesse não iria dar para todos eles”, diz Elaine.

Sem emprego, Elaine cuida dos filhos e vive de doações para complementar o salário mínimo que o marido recebe como segurança. “Nós levamos alimentos, mas não é o suficiente, a família de Elaine precisa ter um lugar digno para morar”, diz a voluntária, Simone Ferreira.

A dois meses Elaine também passou a receber o benefício do “Bolsa Família”, um alívio no valor de R$ 452,00. Apesar disso, os programas sociais como de um modo geral, sofreram cortes do governo federal e quem sente é quem mais precisa. Só neste ano, 3,6 milhões irão voltar a pobreza no Brasil, de acordo com um relatório do Banco Mundial.

Segundo o relatório do Banco Mundial, para evitar um aumento da pobreza extrema no país, o orçamento do programa “Bolsa Família” este ano, teria que aumentar para R$ 30,4 bilhões, uma diferença de mais de R$ 700 milhões em relação ao orçamento previsto para 2017.

“A recessão, a crise econômica, a falta de crescimento, esses são alguns fatores que conduz a esta situação que atinge especialmente os mais fracos em uma sociedade muito desigual. Existe uma parte da sociedade brasileira muito rica, que nesta condição de crise fica mais rica ainda. Mas existe a grande maioria dos pobres que rapidamente entram em uma situação de extrema fragilidade”, diz o prof. dir. Técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio.

Entre 2001 e 2013, o percentual de pessoas vivendo na extrema pobreza caiu de 10% para 4% no Brasil. Isso significa que neste período, 25 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza. Esses dados fizeram o país estacionar em outro ranking, o de “Desenvolvimento Humano”. O país estava vindo em crescimento, mas nos últimos anos estagnou na posição 79º.

“Em curto prazo o país deve realizar os programas sociais, transferência de renda de previdência, assim melhorar a sua situação. Do ponto de vista estrutural, o Brasil deve recuperar o crescimento econômico, para isso o investimento público é fundamental”, afirma Clemente.