Febre amarela – novo surto assusta e preocupa Minas Gerais

Febre alta, calafrios, dor de cabeça, cansaço, náuseas e vômitos. A sintomatologia geral da febre amarela geralmente é parecida com o quadro descrito acima, embora haja um espectro de manifestações que vai desde pacientes assintomáticos até insuficiências hepática e renal e hemorragia, estando estes últimos entre os quadros mais graves da doença. Tais quadros, sejam leves ou graves, via de regra ficam confinados à Amazônia, no ciclo silvestre do vírus. No entanto, a cada 7 anos, aproximadamente, há uma “reemergência” do vírus, que escapa de lá e volta a circular nas cidades. A última vez em que essa “reemergência” ocorreu foi em 2009, no estado do Rio Grande do Sul, com 13 casos confirmados da doença e 6 mortes.

No fim de 2016, a doença voltou a circular entre as cidades, preocupando o Ministério da Saúde e a população como um todo. Dessa vez, o pico da febre amarela explodiu no estado de Minas Gerais, com 133 casos suspeitos da doença e 38 mortes possivelmente relacionadas a ela até a última sexta-feira, 13 de janeiro, conforme os dados da Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais. A situação é preocupante, e levou o governo de Minas Gerais a declarar situação de emergência em saúde pública em 152 cidades do interior do estado por 180 dias, autorizando a aquisição de insumos e contratação de força de trabalho emergencial para ajudar no combate à doença.

Parte da grave situação de saúde pública do estado, ao menos para a bióloga Márcia Chame, da Fiocruz, pode estar relacionada à tragédia de Mariana. Para ela, as mudanças bruscas no ambiente causam profundos impactos na saúde dos animais: o estresse dos desastres, as alterações no ecossistema e a escassez de alimentos, entre outros, podem tornar os macacos mais suscetíveis à infecção pelo vírus da febre amarela. E, uma vez que os primatas em geral são hospedeiros naturais do vírus, quando picados por mosquitos transmissores da febre amarela eles podem passar a doença para o mosquito, que, por sua vez, podem transmiti-la para um humano. Dessa maneira, aumentam-se as chances de propagação da doença em larga escala.

Uma vez que a doença não tem tratamento específico – todos os tratamentos atualmente disponíveis são sintomáticos, isto é, agem somente nos sintomas da febre amarela – e possui vacina, houve, como era de se esperar, um aumento expressivo no número de vacinações na região de Minas Gerais. Há relatos de que a inoculação da vacina pulou de cerca de 10 doses por dia, antes do surto, para 200 doses por dia. Sabendo-se que a vacina tem alta eficácia, comprovada por estudos, confia-se nela como o escudo para tentar evitar um aumento do surto, e causar a regressão da doença para seu local natural de contenção, sem mais contaminações e mortes.