Jornalista mexicano é morto em Sinaloa

O jornalista mexicano Javier Valdez Cárdenas, que reportou extensivamente sobre o tráfico de drogas, foi morto na segunda-feira (dia 29 de maio) em Sinaloa, disseram autoridades. Ele é o quinto jornalista a ser morto no México este ano. Riodoce, cuja publicação semanal Valdez fundou e trabalhou, relatou que foi morto a tiros. Valdez era um jornalista bem respeitado em Sinaloa e publicou vários livros sobre tráfico de drogas, crime e seus efeitos sobre as comunidades.

Falando sobre a cena do crime em Culiacán, o procurador do Estado de Sinaloa, Juan José Ríos Estavillo, prometeu que seu departamento proporcionaria mais proteção aos jornalistas. De acordo com o Committee to Protect Journalists, 40 jornalistas foram mortos no México desde 1992.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, expressou suas condolências para a família e amigos de Valdez. “Reitero o nosso compromisso com a liberdade de expressão e a imprensa, que são fundamentais para a nossa democracia”, disse Nieto.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas concedeu à Valdez o Prêmio 2011 da Liberdade de Imprensa. “Em um país onde a autocensura generalizada é consequência da violência por sindicatos de drogas e bandas criminosas, Valdez ainda cobre questões sensíveis”, escreveu o CPJ no anúncio do prêmio.

Em setembro de 2009, Riodoce publicou uma série sobre o tráfico de drogas. Dias depois, seus escritórios foram danificados por uma granada, de acordo com o CPJ. Em seu discurso de aceitação em Nova York em 2011, Valdez falou sobre a mensagem em dois de seus livros, “Miss Narco” e “The Kids of the Drug Trade”, “Eu falei da tragédia que o México está vivendo, uma tragédia que deveria nos lembrarmos disso como um tempo de guerra. Seu DNA é tatuado com balas, armas e sangue, e isso é uma forma de matar amanhã. Somos assassinos do nosso futuro”.

Valdez também foi correspondente da La Jornada em Sinaloa e trabalhou com a agência de notícias AFP. “Nós lamentamos essa tragédia e enviamos todas as condolências à família de Javier e aos que estão perto dele. Solicitamos às autoridades mexicanas que lançem toda a luz sobre esse assassino covarde”, disse a diretora de notícias da AFP, Michèle Léridon, em um comunicado oficial.

Em entrevista relizada em fevereiro de 2013, Valdez disse ao Gary Tuchman, que o líder do Cartel de Sinaloa, Joaquín Guzman, El Chapo, não estava apenas vivo, mas continuava fazendo negócios. No momento da entrevista, Riodoce foi um dos únicos trabalhos que continuaram a cobrir El Chapo e o cartel de Sinaloa.

Familiares, amigos e leitores que acompanhavam o trabalho de Valdez, sofrem com a perda violenta de um jornalista empenhado em mostrar a verdade sobre diversas questões socioeconômicas. Sua dedicação no trabalho, é lembrada pelos que acompanhavam a trajetória dele com admiração.