Luciana Lóssio cumpriu seu papel de presidente da Associação de Magistradas Eleitorais Ibero-Americanas em 2016

Luciana Lóssio, ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é figura pública já conhecida por batalhar pelo reconhecimento e fortalecimento feminino no Brasil, recentemente foi designada para assumir o cargo de presidente da Associação de Magistradas Eleitorais Ibero-Americanas – uma organização criada após a “Sétima reunião Ibero – Americana de Magistradas Eleitorais: Igualdade de Gênero e Democracia”  que ocorreu no inicio do ano passado em Brasília. Esta associação é um meio de comunicação imediato para que as magistradas consigam lutar, tomar conhecimento e assim defender os direitos das mulheres na política além de colocar em prática as pautas e as resoluções que são definidas nas reuniões. No comando das reuniões está sempre uma integrante do país anfitrião, Luciana Lóssio presidiu no ano de 2016, e na próxima reunião, provavelmente neste ano de 2017, outra juíza deve ocupar este posto.

 

Em 2016 a intenção da Associação foi batalhar a favor da igualdade e representatividade do sexo feminino na política e em áreas correlatas, que normalmente são comandadas e tem em grande maioria homens. As ações que fizeram para reforçar estes ideais foram trabalhar em ações afirmativas, combater ações que de forma intencional ou não comprometam a participação e a voz das mulheres neste ambiente. Luciana Lóssio ainda ressaltou que a reunião das magistradas sempre existiu, tanto que já está na sétima edição, mas que nos outros anos não havia algo de substancial que amparasse e continuasse a promover os encontros e então perceberam que era necessário desenvolver uma instituição que tivesse base legal e pudesse apoiar de maneira mais forte as ações afirmativas.

 

A ministra ainda destacou a importância das instituições em geral se manterem alertas e empenhadas sobre as questões de igualdade de gênero em todos os países, revelou que o país que sedia esta reunião é escolhido de acordo com a participação das mulheres na política e de qual país necessita de uma força internacional, e precisa deste evento para chamar a atenção para o tema e assim se mobilizar para uma possível luta. Para nossa preocupação o Brasil foi escolhido justamente pela falta de mulheres na política.

 

Para entender a desigualdade desmedida que acontece nesses ambientes, podemos citar a legislatura brasileira da Câmara dos Deputados, por exemplo, que atualmente conta com 52 deputadas em exercícios, enquanto o número de homens chega a 460. Já no senado de 81 vagas existentes, apenas 13 são ocupadas por mulheres. Luciana Lóssio afirmou que é vergonhoso que dos 27 estados brasileiros, apenas Roraima fosse governado por uma mulher.

 

Luciana Lóssio afirmou ainda, que falando do cenário mundial, a situação é ainda mais preocupante. Segundo um estudo internacional feito nos 145 países, o Brasil ocupa 115º lugar com mulheres ocupando posições em parlamentos mundiais, perdendo para países como a Arábia Saudita, Iraque e Síria, conhecidos por limitarem o lugar das mulheres não só na política, mas na sociedade. Na maioria desses países, a mulher não pode sair de casa sem a companhia de um homem da família.

 

A próxima edição deste evento acontecerá no Uruguai, sem data ou mês acertados até o momento.