Nova arma contra o câncer de fígado

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O Nivolumab, uma droga que já é aplicada no tratamento da pele, do pulmão e do câncer renal, também provou ser eficaz no tratamento de pacientes com câncer de fígado avançado. Isto é demonstrado por um estudo realizado por uma equipe de médicos espanhóis que têm testado em 262 pacientes com a colaboração de 39 hospitais em 11 países. Em 15% dos pacientes tratados com este fármaco foi atingido o encolhimento do tumor.

Em metade deles a doença se manteve estável por mais de 17 meses. Além disso, em alguns casos, o tumor desapareceu completamente. “É impressionante que a sobrevivência após os 12 meses, está acima de 50%, entre 55% e 60%, o que é surpreendente para estes tipos de câncer. A droga está produzindo um benefício clínico claro”, disse em declarações o co-autor do estudo, Ignacio Melero, co-diretor de Imunologia e Imunoterapia na “Clínica Universidade de Navarra” (CUN) e “pesquisador no Centro de Investigação Médica Aplicada” (CIMA).

Os resultados de ensaios clínicos, publicados na revista The Lancet, foram apresentados dia 21 de abril no Congresso Internacional do Fígado de Amsterdam, pelo pesquisador Bruno Sangro, que também liderou o estudo. Os médicos estão muito satisfeitos com este progresso na terapia de câncer de fígado.

“A prática de tratar um câncer como o de fígado, está mudando a segunda principal causa de morte por câncer no mundo”, manifestou Melero, que também salienta a importância desta conquista e do desenvolvido que isso traz para a Espanha. Na Espanha, a incidência da doença é moderada, com cinco ou 10 casos por 100.000 habitantes por ano, em comparação com 800.000 novos casos de tumores hepáticos avançados (carcinoma hepatocelular) que ocorrem em uma escala global.

Estes tumores ocorrem principalmente em pessoas que já têm o fígado danificado, como no caso de cirrose e de alguns pacientes que sofrem de hepatite B e C, ou por consumir álcool em excesso. A existência de um tumor maligno altera o sistema imunológico de um paciente, o qual recebe um sinal a partir de inativação.

Imunoterapias, como o Nivolumab, tentam bloquear o sinal que deprime a imunidade, para que eles possam desempenhar o seu papel e atacar o tumor. O Nivolumab em um anticorpo monoclonal humano (que é fabricado exclusivamente para homens), e que aumenta a resposta de células de defesa chamadas linfócitos T. Estas células podem retomar, assim que o tumor foi inibido e, por consequência, lutar contra ele. No entanto, quando uma droga aumenta a atividade do sistema imunológico, também passa a existir um risco, pois o paciente poderá gerar anticorpos contra si próprio e é desencadeada uma reação autoimune muito perigoso.

Este possível efeito colateral não ocorreu no caso de Nivolumab. Apenas 1% dos doentes mostrou qualquer reação adversa, que em qualquer caso não é importante o suficiente para interromper o tratamento.“Estávamos com muito medo”, disse Melero. “Nós estávamos indo com muita cautela porque o fígado destes pacientes já está danificado, e por conta disso, dos mecanismos de destruição da resposta imune, poderíamos precipitar uma hepatite fulminante. Nós aumentamos a dose e aplicamos em momentos diferentes e por fim, esperamos por várias semanas. Ainda precisamos observar mais para obtermos mais resultados”, diz Melero.