Um parente próximo da dengue pode ser a causa de infecções no Brasil

Atualmente casos recentes de arboviroses (doenças transmitidas por seres artrópodes, como certos tipos de insetos e mosquitos) recorrentes no Brasil e no mundo, como os casos alarmantes de Zika, dengue e de febre amarela em várias regiões do país, acabam camuflando aparições de focos de epidemias devido a novos causadores.

Este é o caso das infecções cerebrais e nas meninges causadas pelo vírus Saint Louis, conhecidas como encefalite e meningoencefalite respectivamente. Esses casos recorrentes em São José do Rio Preto já estão na mira dos pesquisadores. O que eles sabem e podem afirmar é que se trata de flavivírus, semelhante ao vírus da dengue e provavelmente um parente bem próximo.

O professor da Universidade de São Paulo – USP de Ribeirão Preto, Luiz Tadeu Figueiredo, acredita que é muito comum esses casos serem confundidos com dengue, devido à grande semelhança que ocorre na apresentação dos sintomas. Devido a isso, os diagnósticos que estão sendo realizado nestes casos não são nada precisos.

Esses dados alarmantes foram levantados no 28º Congresso Brasileiro de Virologia, que foi realizado na cidade de Belo Horizonte, e contou com a participação de 500 pesquisadores envolvidos em pesquisas na América Latina. O professor apresentou o resultado de um recente estudo apontando o Saint Louis como causa da epidemia que ocorre em São José do Rio Preto.

Ele diz que esse vírus passou por um processo de amadurecimento desde 1933, após um surto em Saint Louis, uma cidade do Kansas – Estados Unidos. “Mais ou menos 5% dos casos de dengue podem ter uma manifestação neurológica. Uma parte pode ter meningite e encefalite”, diz o professor.

No caso da doença provocada pelo Saint Louis, ela é transmitida diretamente devido a picada do mosquito responsável Culex, “aquele pernilongo que toca musiquinha no ouvido da gente”, diz o professor de uma forma bem ilustrativa e clara. O professor enfatiza que daqui em diante as autoridades de saúde do Brasil devem ficar em estado de alerta, e tomar medidas diretamente ligadas a esta questão. Uma vacina já deve ser desenvolvida e pensada de modo preventivo. “Temos que pensar na possibilidade”, diz o professor.